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domingo, 3 de novembro de 2013

Coisas de Grazi: Você Pode me atender?

Oi galera, me desculpem pela demora, outra vez, minha vida está meio confusa esses últimos tempos, mas enfim, sei que tenho feito vários relatos pessoais aqui e, hoje não vai ser diferente, sinto muito, hehe.
Já contei pra vocês que sou de uma cidade do Mato Grosso, de aproximadamente duzentos e cinquenta mil habitantes, que é um lugar muito quente e que a maioria da população é preta. Todavia, o que eu não disse é que essa cidade tem me pregado algumas peças ultimamente, algumas delas já relatadas em posts anteriores, vou dizer a última agora.
Há um mês, aproximadamente, botei esse meu turbante roxo e fui ao supermercado comprar um bolo pra fazer uma festinha surpresa pra uma amiga, cheguei à padaria do estabelecimento e chamei uma moça que lá trabalhava pra que me tirasse uma dúvida sobre a decoração dos bolos, a menina me olhou e fingiu não perceber que eu a chamava, eu, como sou muito persistente, tentei a mesma manobra com outra vendedora, ingênua Grazi, a menina estava de costas quando a chamei, ela se virou e ao me ver, tomou um ar grave no rosto e virou-se novamente.
Eu esperava uma amiga, cúmplice na festa surpresa e, como as pessoas se recusavam a falar comigo dentro do mercado, resolvi esperar minha colega na entrada do lugar onde não havia nenhum segurança, até eu chegar! Gente, foi uma coisa incrível, eu nunca tinha passado por nada do tipo, dois seguranças encostaram ao meu lado e não tiravam os olhos de mim durante todo o tempo que estive ali, desculpem-me, mas isso não pode ser coincidência.
Enfim, minha amiga chegou, e entramos novamente no mercado, curiosamente, os olhares enviesados cessaram e fomos muito bem atendidas, atribuo a mudança de comportamento ao fato de minha amiga ser branca e loira, vocês podem me perguntar: mas, preta, por que você comprou no mercado? Bem, eu não comprei o bolo lá, mas quis passar pelo caixa pra ver se seria bem atendida dessa vez, e fui, o que só comprova o preconceito de momentos atrás. Eu confesso que não me acostumo com essa situação, não que ache que deva me acostumar, honestamente, me sinto cada vez mais indignada quando sei ou passo por situações assim. Chega de racismo. Chega de preconceito.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Transição de Grazi

Oi gente, esses dias vi uma postagem da senhorita Piagem falando sobre sua transcrição e decidi plagiar sua ideia, vim mostrar pra vocês meu processo de "desalizamento", a gente sabe que a fase da transição é muito dolorida porque o cabelo fica uma coisa esquisita, meio aqui, meio ali, mas tá aí, umas fotos com as datas pra que vocês vejam como é que foi esse carma pra mim.


Aqui cabelo alisado já há seis anos

Ainda alisado, curtinho, escorrido, sem vida(haha)

Oito meses sem alisante. Não postei uma foto com menos tempo de
 transição porque realmente não tenho :(

Dez meses sem química, fase mais difícil porque por mais que 
eu tentasse prender de uma forma legal, bater, fazer fitagem,
 nada adiantava, ficava meio liso, meio enrolado.

Última foto antes de tirar toda a química, acho que dá 
pra ver que ainda tem umas pontinhas lisas aí né...

Dia do corte. Ficou tão bonitinho, todo cacheado,
 um black todo encorpado

E agora está assim, é claro que a foto está muito embelezada 
com a presença de dona Jov., mas, essa estou eu agora pessoas.


terça-feira, 25 de junho de 2013

Onde está o negro? Arte da pichação.

             
 Oi galera, trouxe essa foto que foi feita ontem pela querida Vera Botelho na Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário de Rondonópolis, esses dizeres, dentre outros, apareçam nas paredes do bloco de psicologia no dia 20 de junho, quinta feira, o que causou um grande reboliço no Campus, muita gente dizendo que pichação é vandalismo, que é depredação do espaço público e que aquilo não se faz, vamos refletir sobre isso...
                Um grande defensor da pichação foi o grande pensador Paulo Leminski, ele, sempre que via uma parede vazia, dizia que aquilo lhe provocava muito desconforto, Leminski nos diz que a pichação nada difere de outras formas de arte, como o grafite, por exemplo. Se observamos a história das pichações nos daremos conta de que ela é uma arte de luta, isto é, a pichação sempre grita algum anseio, sempre denuncia algo, sempre propõe uma discussão e é uma arte muito vista em comunidade pobres e locais públicos, o que me parece muito pertinente, uma vez que em lugares pobres a incidência de descaso, racismo, homofobia e violência para com a população é gritante, em se tratando de prédios públicos a manifestação também costuma ser coerente, uma vez que os gritos expressados nas paredes pedem atenção, pedem postura do poder público, exigem uma reflexão sobre aquilo que está escrito ali.
                Não preciso dizer que eu sou defensora da pichação, afinal, sou defensora de toda forma de arte. Quando alguns colegas e mesmo a administração da Universidade nos diz que aquilo é depredação, eu de fato não consigo compreender, uma vez que nada foi destruído, nada foi impossibilitado de uso, não foi estragado, o que há na verdade é um incômodo gerado pela provocação da reflexão causada nos transeuntes do local, incrível as pessoas dizerem que verba será redirecionada para que se repinte as paredes pichadas, eu me pergunto: repintar por que? E outra, como contemplou o querido Góes: as pessoas acham que a universidade tem um orçamente de 300 reais e aí olha pra o dinheiro e pensa, será que eu contrato um professor ou será que eu pinto a parede? Achei a colocação muito bem feita, a Universidade tem planejamento, nenhum dinheiro é simplesmente redirecionado, a universidade deveria sim incentivar o processo criativo, no entanto, o nosso pró-reitor comentou que teme que as pichações se espalhem por toda a universidade, que é assustadoramente unicolor.
                Quando vi os dizeres da foto acima, fiquei muito feliz, afinal, onde está o negro que deveria compor 70% dos estudantes universitários federais? No curso que frequento, por exemplo, pessoas como eu (pretas)são exceção, a psicologia é uma ciência branca ainda, assim como a maioria dos curso de nível superior, acredito que o autor da arte tenha se incomodado com essa discrepância de cor na Universidade e decidiu expor sua indignação.

                Estava eu a refletir, a psicologia do campus está defasada, estamos com uma carência imensa de professores uma vez que contratos não foram aprovados e renovações não estão sendo feitas. A reitoria da Universidade, até então, não havia se manifestado sobre a defasagem, no entanto, há boatos de que ontem, um senhor da administração da sede da Universidade, tomou um avião e veio à Rondonópolis discutir a situação do curso porque temia o que estaria sendo dito pelos estudantes através das paredes do bloco. Me digam vocês, a pichação não é mesmo uma grande provocadora de mudança? Professores tem tentado estabelecer diálogo durante todo o tempo, mas foi só quando a arte foi feita que alguém decidiu escutar, por isso, gostaria de deixar aqui meus parabéns e minha gratidão para os artistas que estão se expressando sem medo da criminalização e da desonres do sistema. Me sinto representada pelos dizeres e espero que eles sejam proliferados.
Dicas de acesso: Dica 1, Dica 2

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A família e a construção do racismo

             Olá leitores, depois de muito tempo sem postar e com muita saudade disso, confesso que passei  por algumas experiência agradáveis e outras muitas lamentáveis, a mais absurda aconteceu na noite de ontem. Lá vai mais um relato:

                Chegava eu, junto a esposo e pais, na casa de familiares em uma região atingida por um racismo ambiental sem precedentes quando, ao chegar à casa, na tentativa de cumprimentar um familiar, ele que estava deitado na rede, olhou pra mim e simulou um susto, se jogou no chão e começou a rir, dizendo que havia se assustado com o meu cabelo , cabelo que eu trago sempre black, como você bem sabem.
                Eu fiquei indignada, havia aproximadamente 15 pessoas na casa, todos ficaram quietos, não sei porque se indignaram ou se porque compactuavam da atitude do rapaz racista. Como eu estava de carona, não pude simplesmente me virar e sair, o que deu pra fazer foi virar as costas depois de dizer-lhe: “seu racismo me enoja” não sei se adiantou muito, logo mais vi pessoas fazendo piadinhas sobre cor de pele e textura de cabelo, mais uma vez.
                Já contei em texto anterior que eu alisei os cabelos por seis longos anos, que na ausência de chapinha passei ferro nos cabelos, que fiz progressiva e permanente, pois bem, depois do relato de hoje, acho que não é difícil entender porque tantas meninas, assim como eu, sedem à ditadura do liso, é muito mais que cabelo alisado, é aceitação social, ascensão social, é esquiva da tortura de perguntas e comentários racistas como esse. 
                Ainda ontem eu escutei perguntas como: você não penteia o cabelo? As pessoas não te zoam por causa desse cabelo? Porque você não prende? Há uma coisa que eu não consigo entender: por que é que o meu cabelo incomoda tanta gente? Alias, a gente entende, mas não dá pra aceitar, o que eu faço com o meu corpo, com a minha aparência, com o meu cabelo, diz respeito exclusivamente a mim. Enfim, na despedida, o mesmo rapaz racista do princípio do relato me disse: vou esperar você e o Felipe (meu esposo) na minha casa viu?!  Oi? Como assim eu te espero na minha casa? Acho que isso é o que mais me incomoda, o racista pratica o racismo e o trata com naturalidade, como se o outro, o negro, não se ofendesse, como se o seu racismo tivesse que ser aceito sem reservas. Bem galera, esse texto foi mais um desabafo mesmo, sei que muitos de vocês passam por situações semelhantes diariamente e sei o quanto é difícil resistir. Mas mantenhamos a nossa cor vibrante e o nosso cabelo volumoso, afinal, não dá pra resolver o problema com pente ou alisamento, não dá pra tirar a melanina, não dá pra deixar de ser preto
. Beijos a todos.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Os dois lados certos da moeda




            Apesar de tentar não entrar na moda de criticar “lado A” ou “lado B”, muito fiquei incomodado com as várias incongruências colocadas por muitas pessoas nas redes sociais, especialmente os famosos twitter e facebook, nos quais tenho visto muitos que se auto intitulam militantes gays, negros, evangélicos, intelectuais, entre outros aspectos; principalmente no que se refere a opiniões alheias de um certo presidente de comissão da Câmara Nacional dos Deputados, pois bem iniciarei pelo fato em que toca minha opinião enquanto homem; negro assumido, feliz, pobre, brasileiro, minimamente intelectualizado e sendo assim tenho COMPROMISSO com o bom conhecimento e a verdade nas informações.
            Não há que se defender um lado como certo ou errado, pois a história por si mesma traça o cenário social do Brasil em estamos hoje e, os insatisfeitos que briguem com as estatísticas, facilitando a vida dos mais teimosos basta ir ao domínio eletrônico http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 e se debruçar nos números fornecidos pelo instituto que coloca as claras que 67,38% da população brasileira é negra e, deste montante 93% é constituído de negros pobres, remediados, miseráveis e indigentes; ora se até mesmo a presidente da República assumiu durante o Encontro Ibero-Americano de Alto Nível, ocorrido dia 19/11/2011, que a pobreza brasileira tem face negra e também feminina, ficou incontestável o que todos dizem ser absurdo e, não por uma maldição  como afirmado pelo pastor e também presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Nacional dos Deputados, que diga-se de passagem conhece muito pouco de história e sociologia brasileira e geral.
            Primeiro nem se precisa colocar que a Maldição de Cã descrita na Bíblia no livro de Gênesis capitulo 9 versos 19-29 foram propositalmente manipuladas em algumas edições, como a paulina, para fomentar a escravidão de negros africanos, porque será que em si mesmo o corpo do texto em momento nenhum se refere a cor negra, porque será que em algumas edições foram inseridas notas que sugerem que Cã e seus descendentes eram negros? Realmente não é lamentável observar pessoa que acreditam e propagam isso, ora essa deturpação foi à razão para o extermínio de aproximadamente 20.000.000 de negros africanos no processo da Diáspora Africana, o negro não veio para o Brasil de vontade própria, não foi e, via de regra, não é bem tratado no Brasil e, quando tinha suas esperanças de melhora na Abolição, a mesma o lançou na pobreza extrema, miséria, indigência, ignorância, marginalidade e criminalidade, o resultado todos vivenciamos hoje em dia a letalidade da polícia, pessoas que ainda morrem da decorrência de sintomas da anemia falciforme, educação da pior qualidade, entre outros aspectos.
            Assim negar o racismo na realidade do Brasil é o mesmo que acreditar no “voo do homem invisível”, mais lamentável ainda é ver pessoas que se dizem minimante esclarecidas, ou seja, acadêmicos apregoar que ‘ninguém atualmente tem nada que ver com essa realidade’; que ‘não existe indenização a ser dada a “essa” gente negra’; que ‘não há racismo, isso é se colocar como vítima’ entre outras argumentações (Ianni et. al., 2005).
            Tais argumentos são questões teóricas superadas, não corrigidas por impedimento de uma população que pouco se conhece e cede uma pressão social pequeno-burguesa, para os pouco esclarecidos historicamente havia sim um projeto de Assentamento de todos os escravos alforriados na Abolição, entretanto a burguesia brasileira ainda assombrada pela Revolução Haitiana não deixou que isso ocorresse e o projeto foi alterado (Barbosa, 1999), assim fica esclarecido esse argumento racista do pastor e deputado da citada comissão da Câmara Nacional de Deputados, para mais informações consultar primeiramente os autores clássicos Wilson do Nascimento Barbosa, Joel Rufino dos Santos, Caios Prado Jr., Otávio Ianni, Kabengele Munanga, e posteriormente outros que lhes forem mais palatáveis e, depois emita opiniões, pois é isso que uma pessoa esclarecida faz, e não como o pastor e deputado que mostrou que nem o básico de sociologia e história brasileira e geral sabia.
            A questão que o pastor e deputado coloca em relação às pessoas homoafetivas é de opinião infeliz por parte dele e, escolha por parte dos homossexuais. Não me delongarei mais, mas o contexto do PLC 122/06 é muito necessário no que se refere a criminalização da discriminação contra homoafetivos, porém deve esclarecer bem o que é ou são crime de discriminação contra homossexuais.
            Primeiro o pastor quando afirma “os sentimentos homossexuais são podres” ele incita sim o ódio contra a classe. Por outro lado as religiões cristãs (Evangélicas, Católicas, Neopentecostais e Protestantes) no Brasil tem como fonte doutrinadora a Bíblia, sendo assim este livro deixa claro que o comportamento homossexual é intolerado e não aceitável por Deus, para consulta ver os livros bíblicos: Genesis 1: 27,28;  Levíticos 18: 22,23; Provérbios 5:18,19; Gálatas 19-21; 1 Coríntios 6: 9,10. Assim é direito de todo líder religioso manifestar sua fé e, não celebrar, por exemplo, um casamento gay sem que haja para si ônus oriundo de punição por lei, o que não dá liberdade a tais líderes para incitação ao ódio contra os homossexuais.
            Assim é escolha da pessoa homossexual ser ou não cristã, desde que saiba que é direito assegurado por lei a manifestação religiosa sem ônus de punição parte de lei, porém o respeito e tolerância devem ser fatores indispensáveis a ambos os lados envolvidos, bem como congruência e anuência na formulação de leis, pois é inconcebível que ainda hoje haja pessoas que pensam que outras devem simplesmente ser eliminadas sem nem saber o histórico psicológico, social e mesmo biológico do seu semelhante, é necessário saber antes de falar e mesmo sabendo é preciso cuidado ao professar algo.


Felipe Barbosa Teixeira
 Movimento Negro de Rondonópolis

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Menina Preta- Kaena Adrielle

Gente, tive uma surpresa super agradável quando essa preta de 16 anos me contou a histórias dela. A Kaena Adrille é lá do Rio Grande do Sul e entre um “guria” e outro ela foi me deixando boquiaberta com seus relatos. Conta aí Kaena : Pra falar a verdade eu nunca gostei do meu cabelo, por causa do que os outros falavam... principalmente na escola. Era deprimente. E quando me mudei para o RS a situação piorou de vez, afinal, ser a única guria do “cabelo ruim (como dizem os que acham que estão na alta) numa escola com pessoas que seguem o padrão de beleza de que pra ser bonita tem que ter o cabelo lisinho e outras baboseiras não é a melhor coisa do mundo...
 A gente sabe que essa coisa do cabelo não é simplesmente pelo cabelo né pessoal, há muito mais por traz disso, mas enfim, conclusão: Kaena também alisou a cabeleira pra tentar se livrar do fala-fala mas, a química sempre tem efeito colateral, alisamentos ressecam, quebram e deixam o cabelo opaco e no caso da dela ainda escureceu as madeixas , essa violinista da qual vos falo ficou com química dois anos e decidiu dar um basta nessa escravidão do alisado e cortou tudo, deixou a cabeleira voltar ao natural e é aí que começa a parte mais impactante da história. 
 Kaena me disse que “quanto mais armado melhor” e mesmo por isso ela tem um black lindo, mas eis que ela levou uma rasteira: “Depois da transição o meu cabelo estava grande o suficiente, até que em um belo dia uma suposta amiga minha e outra fulana que estudavam comigo, resolveram fazer uma brincadeirinha idiota. Elas cortaram a parte de baixo do meu cabelo. Isso, isso mesmo! Guria eu fiquei muito brava e chorei de mais”. 
Calma aí, como assim elas cortaram o cabelo da menina? Não preciso dizer que chorei junto com aquela né..  Percebe-se aqui uma configuração descarada de intolerância, de racismo, afinal, Kaena  tem todos os traços de uma preta: nariz alado, lábio protuberante e cabelo carapinha. Só uma dica pra as meninas que cortaram o cabelo da nossa gatinha e pra própria nossa gatinha: Isso é crime. É inadmissível que isso aconteça e, eu me pergunto a qual estágio de preconceito racial situações como essas podem se elevar, afinal, a três garotas em questão são adolescentes e, duas delas, já possuem esses valores eurocêntricos tão arraigados que aceitar aquilo que se configura como diferente desse padrão deve ser absolutamente extinto e sabemos que o racismo sempre pode piorar, sempre pode ferir mais os direitos de alguém(s).
Só mais uma coisa, Kaena, você está diva e a gente tem orgulho de você ser uma Menina Preta viu..

terça-feira, 30 de abril de 2013

A erotização da mulher negra na teledramaturgia brasileira.

                Oi gente,  sei que tenho demorado um tanto pra publicar, mas perdoem essa preta aqui, é fim de período da minha faculdade e a minha vida não está nada fácil, prometo que vou me esforçar pra não ficar tanto tempo sem postar ok? Mas, não foi sobre isso que vim falar com você não, na verdade, vim problematizar mais uma vez  a forma como a imagem da mulher negra é vendida, estava aqui pensando em como é que nós, pretas, aparecemos na mídia, e lembrei de algumas situações e, principalmente, de algumas reflexões de aulas de Psicologia Social, já comentei sobre a disciplina aqui, a professora, Doutora Carmem Lúcia Sussel Mariano , conduzia as aulas de forma muito intrigante, provocativa e, principalmente pra mim que amo as temáticas discutidas, fabulosa. Mesmo na academia, onde se espera posicionamento crítico e luta social, sobretudo em um curso de ciências humanas,  não é muito raro perceber profissionais que se esquivam de sua função de formadores de opinião e criticidade, asseguro-lhes que não é o caso da professora em questão.
                Mas, voltemos ao assunto. Analisando novelas ( Rede Globo) mais recentes percebi que todas, sem exceção, de alguma forma pareavam a imagem da mulher preta à sexualidade exacerbada ou à burrice extrema, além de outros atributos como servidão suprema e/ou machismo.  É impressionante como isso ocorre de forma descarada e mesmo assim situações do tipo passam desapercebida por muitos olhos, mesmo por isso, hoje eu  trouxe aqui casos mais evidentes.
                Comecemos falando de Maria da Penha, cantora do grupo fictício As Empreguetes, das três garotas, apenas Penha falava errado, vestia roupas que, provavelmente, lhe provocavam dificuldade de respirar. Apenas Penha morava na favela e era passada para traz admitidamente pelo esposo (também negro). A mesma atriz, Thais Araújo, ainda viveu Preta em Da Cor do Pecado, não sei se preciso dizer muita coisa sobre Preta uma vez que o nome da novela já fala por si, gente, Da cor do Pecado? Por favor, por que é que o negro é associado ao pecado? Ao erro? O título da novela sugere que acima de qualquer coisa a personagem só conquista o almejado amor porque tem a cor marcada pelo pecado.
   Quem é que não se lembra de Dagmar de Fina Estampa e seus banhos demorados de mangueira? Quem é que não se lembra de seus vestidos extremamente curtos e da associação que era feita entre o sabor dos quitutes que a moça vendia e seu corpo?
               


  E por último, temos Bernadete de Aquele Beijo, preta que estava sempre de decote muito grande, falava muito alto, era sempre desbocada e não titubeava em “armar um barraco”.
                São poucos exemplos que citei, mas acredito que sejam suficientes pra observarmos como a “mágica da erotização” da imagem da mulher preta acontece né..  Deixo aqui algumas sugestões de leitura ( minhas e de Dra° Carmem)